Quando a rotina de trabalho é rígida, como um profissional em situação de extrema vulnerabilidade consegue redesenhar suas funções para sobreviver, gerar valor e encontrar dignidade?

A migração forçada impõe barreiras brutais no mercado de trabalho. Para milhares de refugiados que chegam ao Brasil, a barreira do idioma, o estigma social e a falta de reconhecimento de suas qualificações anteriores criam um cenário de profunda informalidade e exclusão. O resultado prático costuma ser a marginalização em cargos engessados que não aproveitam o potencial humano disponível.

No entanto, a adaptabilidade humana muitas vezes acontece onde a estrutura corporativa falha. Uma investigação recente com refugiados venezuelanos mapeou como a prática de job crafting — o ato em que o próprio trabalhador reorganiza de forma proativa suas tarefas, relações e percepções no dia a dia — transforma a experiência laboral.

Os dados revelam um contraste marcante: enquanto a formalização contratual inicial é extremamente baixa, o índice que mede a importância subjetiva do trabalho e a esperança no futuro permanece altíssimo entre os participantes. O estudo demonstrou que aqueles que conseguem customizar ativamente suas funções relatam maior satisfação, vínculos mais fortes com colegas e perspectivas reais de desenvolvimento de carreira, provando que a agência individual é um motor poderoso de inclusão quando as organizações flexibilizam seus processos.

Para gestores e líderes, a lição é clara: criar ambientes de trabalho verdadeiramente inclusivos não exige apenas cumprir cotas ou legislações, mas abrir espaço para que as pessoas moldem suas entregas a partir de suas competências reais, reduzindo atritos de adaptação e elevando a produtividade sistêmica.

Como a sua organização lida com a flexibilidade de papéis e o aproveitamento de talentos vindos de contextos não tradicionais?

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Pesquisa coordenada pelo Prof. Francisco Antonio Coelho Junior, contando com a colaboração dos coautores Iária Guerra de Araújo, Renata Avancini Tonini, Mariana Borges Nunes Vieira, Maria Caroline Meyer Goulart, Aretha Salomão e Pedro Marques-Quinteiro.

Programa de Pós-Graduação em Administração Pública (PGAP/UnB).
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Artigo publicado na revista Social Sciences (DOI: 10.3390/socsci15050315).

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